A Educação Trilógica: Uma Revolução no Ensino Superior

Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco

Trilogical Education: A Revolution in Higher Education

 

RESUMO

Sentimento, pensamento e ação. Esta é a marca da nossa pedagogia trilógica, pois ela trabalha com os sentimentos, os pensamentos e as ações da criança. Os três juntos e misturados. Isso caracteriza uma Faculdade Trilógica. Se faltar um desses três pés, a estrutura não se sustenta. Nossa faculdade quer reacender o ideal das pessoas, das crianças, dos professores, e fazê-los perceber que eles vão ter muito a possibilidade de ação. Sem a ação boa, não há como irmos para a frente.

Palavras-Chave: Educação, Psicanálise Integral, Pedagogia, Formação de Professores, Interiorização, Conscientização.

ABSTRACT

Feeling, thought and action. This is the hallmark of our trilogical pedagogy, as it works with the child’s feelings, thoughts and actions. The three together and mixed. This characterizes a Trilogical College. If one of these three legs is missing, the structure cannot stand. Our college wants to rekindle the ideal of people, children and teachers, and make them realize that they will have many possibilities for action. Without good action, there is no way for us to move forward.

Keywords: Education, Integral Psychoanalysis, Pedagogy, Teacher Training, Interiorization, Conscientization.

 

Texto

Vamos refletir um pouco sobre a educação à luz da Trilogia Analítica, com destaque para estes pontos:

· A Importância da Educação para a sociedade
· A Formação Integral dos Professores
· Como lidar com os desafios em sala de Aula
· O ideal do acesso facilitado à Educação para todas as pessoas.

 

IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO PARA A SOCIEDADE

O ser humano tem uma essência boa, bela e verdadeira. Por que ele não pode ser deixado à vontade, crescer sem educação? Por que o ser humano precisa ser educado pelos professores, pelos pais? Sabemos de alguns casos raros de crianças que nasceram e sobreviveram sozinhas na selva. Elas tiveram, depois, muita dificuldade de se adaptar à vida em sociedade.

Algumas pessoas pensam que se deveria criar as crianças isoladas, na natureza, como os índios, por exemplo, porque a sociedade aí fora é muito doente, muito errada, deixando a pessoa muito rígida, muito artificial. E que a criança que foi criada lá na floresta seria autêntica.

Outras pessoas já pensam de outra forma, achando que o ser humano é como uma tábula rasa e precisa ser ensinado sobre tudo. É uma ideia construtivista, ou seja, teríamos que construir o ser humano, e não que o ser humano já tem no DNA dele tudo de mais importante que ele precisa para sobreviver e viver em sociedade.

O ser humano absolutamente é um ser social. Ele precisa da interação social pela sua própria energética, a ressonância energética. É necessário, pelo menos, mais de um indivíduo para haver essa ressonância energética, pois nós nos alimentamos e retransmitimos essa energia que Norberto Keppe chama, na Nova Física, de energia essencial, e Tesla de energia escalar.

O termo de Tesla é muito importante porque ele fala das escalas energéticas, desde os seres mais vibrantes na energia, Deus, os anjos, depois os seres humanos, em seguida os animais: na escala vibracional cada ser tem o seu DNA energético, perfeito. Porém, no ser humano, existe um problema que se chama inversão, que Keppe descobriu há muito tempo atrás. Freud falava de um instinto de morte, mas existe um tipo de tendência para a destrutividade e essa tendência não é da natureza. Ela se localiza na vontade da pessoa. Então, uma criança nasce quase perfeita; ela tem energia lá, tem vitalidade, tem alegria, sentimentos de afeto, inteligência, percepção, enfim ela tem tudo de que ela precisa. Entretanto, a vontade do ser humano está prejudicada, como que tendo uma quebra assim, uma ‘chavezinha’ que não funciona bem, o que acarreta tantas dificuldades, inclusive na percepção, na atuação, contaminando os sentimentos, os pensamentos e as atividades.

Educar, dentro desse ponto de vista, seria ajudar o ser humano a se conscientizar da inversão que ele tem, sendo que, se for deixado solto, na própria vontade, ele caminha para a autoextinção, tanto como indivíduo quanto como sociedade. Então, educar seria conscientizar essa inversão para a criança aprender a ter uma disciplina, em relação à vontade invertida e, assim, atingir a felicidade plena dentro do possível, o mais feliz, o mais realizado e mais construtivo possível, que vai produzir frutos para si mesma e para o mundo.

A FORMAÇÃO DO PROFESSOR

Parece que, quanto mais vai subindo na escala acadêmica, de títulos, o professor vai ficando mais deformado; ele vai perdendo a humanidade e vai entrando na patologia social, porque existe a patologia individual, da inversão da vontade do ser humano, que quebra toda a sua criatividade. E tem a patologia social, que são valores invertidos que o ser humano acaba transferindo para a sociedade. E dentro desses valores invertidos, por exemplo, a pessoa fica com medo da alegria, do bem, do afeto, das emoções boas, vendo um perigo em tudo isso: é a inversão. Só que isso fica institucionalizado e passa a ser uma verdade social, uma verdade acadêmica. É muito raro você ver uma pessoa, que galgou as escadas da vida acadêmica, ser um ser humano descontraído, criativo, normal: ele vai se deformando, se automatizando, ficando rígido, usando uma máscara, que se constrói uma pessoa que ele, no fundo, não é. É uma questão até esquizofrênica, a da especialização das áreas. Isso é muito ruim.

Acredito que os professores são heróis. Os professores, por exemplo, de Ensino Fundamental e Médio, principalmente, e mesmo os de faculdade, com os jovens, são heróis, porque os pais, atualmente, já não têm mais tanta condição psíquica e socioeconômica, por causa do estilo de vida da sociedade moderna, de educar os filhos. Os valores mudaram muito ultimamente: grande parte da culpa é da psicologia e da psicanálise tradicional, que interferiram muito na educação, negativamente. Então, os pais já não conseguem mais educar os filhos e passam essa tarefa para os professores, que acabam ficando com esse fardo e, ao mesmo tempo, não têm licença (dos pais) para que façam isso como se deveria. Atualmente, vemos um massacre em sala de aula, muitas vezes dos alunos contra os professores, e estes não podem se defender. Houve uma inversão total de papéis, que é alimentada pelos pais.

 

COMO LIDAR COM OS DESAFIOS EM SALA DE AULA

Eu acompanho professores em análise, acompanho seu sofrimento, que é mesmo desnecessário. Assim, para se lidar com a patologia emocional em sala de aula, no momento, é realmente necessário ser herói. Queremos muito ajudar os professores, fornecendo instrumentos para eles poderem ir lidando com isso, sem entrar tanto num polo de permissividade, de alienação, de tudo se poder fazer, com liberdade para tudo, e nem do outro lado, para uma intransigência, de uma censura que acaba agravando a problemática emocional. Tudo o que é reprimido, ganha força.

Esse ambiente de conscientização na escola, que chamamos de terapia em sala de aula, tem o objetivo de incentivar os professores, no curso de Pedagogia da Faculdade Trilógica, a aprenderem a lidar com as emoções sem medo. Uma coisa é a consciência de uma patologia, permitir que sua consciência fique livre. Outra coisa é reprimir a conduta. Isso é muito diferente. Uma pessoa, aluno ou professor, enfim, qualquer um, é importante que não censure a consciência, por exemplo, de que ele é agressivo, que ataca os amigos, ou seja, não pode censurar essa consciência, ficar reprimindo, censurando, dando lições de moral. É preciso conscientizar que a pessoa é daquele jeito, para ela reprimir a conduta da agressão. Uma coisa é a consciência, outra é a conduta, e nós trabalhamos ao máximo para tentar conscientizar a criança, o professor, seja quem for, para poder reprimir a conduta doente, e isso é possível com o afeto. Sem isso não se consegue.

A interiorização é um instrumento fundamental. Sem a interiorização não se consegue a conscientização. Esse processo, de levar essa interiorização para um maior número de professores, precisa ser pensado, porque a sociedade não vai muito longe do jeito que está: não vai aguentar muito não e isso precisa entrar em toda a sociedade, em todos os cursos de pedagogia e de especialização, para aqueles que já são formados.

 

O IDEAL DO ACESSO FACILITADO À EDUCAÇÃO PARA TODAS AS PESSOAS

O mundo está doente e nossa ciência Trilógica pode contribuir com uma parcela boa de terapia. Para que isso aconteça de uma forma mais rápida, oferecemos essa gratuidade dos cursos de Pedagogia e de Teologia Trilógica em 2022. Na verdade, tratam-se mais de cursos de gestão de problemas e de enfermidades. Nossa teologia é um curso de terapia para o mundo, que não é um curso confessional. O curso de pedagogia passa a ser tão importante e precisa ajudar tão rápido, que nós abrimos uma gratuidade e convidamos nossos alunos, egressos de nossos cursos de pós-graduação, para continuarem agindo, engajados nessa escola de pensamento de Norberto Keppe, essa escola de ciência, que tem ideal, porque a pessoa precisa fazer renascer seus ideais.

Algumas pessoas, quando chegam na fase anal-sádica do desenvolvimento da personalidade, se fixam lá e querem muito poder, e não se desenvolvem para uma fase mais afetiva; elas ficam nesse um por cento da sociedade, que querem muito poder, o dinheiro, e não a cultura, o afeto, as artes, a beleza, a bondade, o desenvolvimento científico, a vida.

No poder do dinheiro, elas ficam como que engessadas, até intelectualmente aleijadas, porque só pensam em como vão ganhar dinheiro e acumular uma fortuna que elas nem conseguem usufruir: elas só querem acumular. A inteligência delas fica embotada. Por isso, é muito difícil um bom cientista, um bom político, de verdade – aqui a gente vai precisar de lupa hoje para achar alguns – um bom Presidente, um bom governador, bons artistas, pessoas da sociedade, como já houve outrora, que eram realizadores, que contribuem, enfim, essas pessoas nunca foram milionárias, ricas, apegadas ao dinheiro. É preciso colocar seu ideal à frente de qualquer questão. Às vezes, por exemplo, acontece de uma pessoa nascer numa família rica e, de repente, ela não quer seguir nessa avareza. Então, ela se destaca.

Keppe diz que a ação é que traz consciência, e não a consciência que traz a ação. Ele fala que a ação antecede a consciência, ou são concomitantes, vamos dizer assim. Ele sempre diz que quando a pessoa está com problemas na consciência, quando esta está obnubilada, se ela é colocada na ação, junto com outros, na energética da ação, ela acaba desenvolvendo sua consciência, a inteligência. Para consertar o mundo, vamos fazer primeiro e, aí, a consciência vem.

Keppe fala sobre o que é ser um bom professor trilógico e um bom cidadão: ele tem que ter bondade, ser realista, deixar de ficar só no delírio, na imaginação – o realista é prático, vê a situação e não espera mais do que pode – e tem que ser ativo. São as três características de um bom trilogista, seja professor, analista, empresário: bondoso, realista e ativo. Isso tem que entrar em nossos cursos: a bondade, o realismo e a atividade. Por exemplo, às vezes temos uma pessoa superidealista.

Inclusive, o grupo de professores que temos é uma amostra da sociedade em geral: aqui temos pessoas com os mais diversos problemas: esquizofrênicos, depressivos, compulsivos, obsessivos, epiléticos, megalômanos, tudo o que cada ser humano tem. E vamos ver isso nos outros também. No começo, assusta mas, depois, a gente pensa “puxa, mas a pessoa faz análise há tanto tempo e ainda tem esses problemas…”

Sim, ela tem em graus e sob aquele controle que a análise vai proporcionando, pois quando a própria pessoa não conseguiu ainda força suficiente de virtude para superar um problema, os outros ajudam. O grupo de terapia tem essa finalidade. E também a energética social draga a energia que a gente consegue na terapia, pois tudo na sociedade pensa de forma diferente, tudo na vida social pensa ao contrário. É dureza! Daí a importância de que esta Educação Trilógica chegue ao maior número possível de pessoas, já que não se pode colocar todo mundo no divã. Se os professores trilógicos começarem a atuar mais, as crianças pegam rápido e vão que é uma beleza, vão mudando o ambiente. Percebemos, então, como o ser humano tem sofrido bastante.

Sempre pensei: como a Trilogia Analítica poderá ir para o mundo, beneficiar o maior número possível de pessoas? Como será que vai ser, pois não podemos atender todo mundo em análise. Depois veio a questão da nova física, que vai mudar a energética e não vai mais ser preciso utilizar a eletricidade, ou seja, com o tempo vai ser energia magnética, o que já melhora muito o funcionamento das ondas cerebrais etc.

Nosso curso de Pedagogia tem um valor muito grande. E  com o tempo fomos percebendo a importância inclusive para a mãe de Cristo, da Virgem Maria, ou seja, como ela ama esse curso de pedagogia que a gente está fazendo (na Faculdade Trilógica Nossa Senhora de Todos os Povos). E vamos ajudar as crianças a partir da própria vida delas. O lugar mais importante, além da casa e da família delas, é a escola. Muitas delas passam mais tempo, às vezes, na escola do que com os pais. Então, é aí que precisamos ajudar essas crianças, inclusive com assuntos da espiritualidade, que para elas é algo tranquilo. Lembramos que os pedagogos formam todas as outras profissões. A Pedagogia é muito importante, porque ela é a base de tudo.

 

COMO OS CURSOS DA FATRI PODEM MODIFICAR O MUNDO?

Essa história da gratuidade mudou tanto a perspectiva da faculdade e a sensação dos professores, a energética mudou tanto, que eu própria não fazia ideia de como o dinheiro atrapalha a vida do ser humano, castrando-o. A reação das pessoas quando souberam que a gente estava abrindo uma gratuidade total – 100% de mensalidades gratuitas, e não é truque de Marketing – e não só isso: não é uma faculdade estatal, engessada, árida. É uma faculdade que quer reacender o ideal das pessoas, das crianças, dos professores, e fazê-los perceber que eles vão ter muito a possibilidade de ação. Sem ação, não há como irmos para a frente.

Pedagogia Trilógica: sentimento, pensamento e ação. Esta é a marca da nossa pedagogia, pois ela trabalha com os sentimentos da criança, com o pensamento e a ação. Os três juntos e misturados. Isso caracteriza uma Faculdade Trilógica.

Se faltar um desses três pés, a estrutura fica manca. Os Estados Unidos cuidaram só da ação e, por esse motivo, estão caindo. A Europa cuidou só do pensamento e caiu. E os países que ficaram só na teologia não foram para a frente. Assim, precisamos dos três, unidos: sentimento, pensamento e ação.

Aqui, nas Faculdades Trilógicas, estamos com as portas abertas para fazermos tudo de bom que a gente quiser, com a liberdade para realizarmos o que é bom, verdadeiro e belo. Não é fácil encontrar isso no mundo, desvinculado do econômico. Por uns tempos, a humanidade ainda terá que depender do dinheiro para pagar as contas. Mas nós vamos usar outros recursos, vindos de nossos cursos de pós-graduação, extensão, livres, para manter as gratuidades das nossas graduações, bem como estamos lutando pelo desenvolvimento da tecnologia do motor Keppe, para também termos recursos para ajudar. Pela primeira vez, abri a possibilidade de as pessoas poderem contribuir com doações, pois nunca fizemos isso antes. Quanta coisa boa quando deixamos nosso pensamento livre no Bem.

 

Autor

Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco

Psicanalista formada por Norberto R. Keppe na SPI – Sociedade de Psicanálise Integral, Brasil. Doutora Honoris Causa. Fundadora e Diretora das Faculdades Trilógicas Keppe & Pacheco e Nossa Senhora de Todos os Povos (FATRI EAD). Especialista em Psicossociopatologia pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Keppe & Pacheco e INPG, SP. Escritora de 16 obras sobre Psicanálise e Medicina Psicossomática. Fundadora da Associação Internacional STOP a Destruição do Mundo.

 

Bibliografia

Trechos extraídos da entrevista concedida pela dra. Cláudia B. S. Pacheco sobre o assunto deste Artigo. Pedagogia Trilógica Gratuita: Uma revolução no Ensino Superior – Entrevista com
Dra. Cláudia Pacheco. YouTube, 26 de novembro de 2021. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=1kg9ua8fvMg&t=352s >.
Acesso em: 01 de outubro de 2024

 

Vol. 34 n. 43 (2024)

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