O ato principal das Festas do Divino consistia na coroação simbólica de um Imperador, que não deve ser confundido com os imperadores tradicionais, como os do Império Romano ou Carolíngeo (de Carlos Magno). Marcando bem esta diferença fundamental, o coroado nas festas é um inocente menino, ou um pobre do povo.
De preferência, um inocente menino pobre do povo. Segundo António Quadros:
“o Império do Espírito Santo tal como anunciado no mistério da Coroação, não é em suma um império de fora para dentro, um império sociocrático ou autocrático, mas um império de dentro para fora (…) um império (…) que é a conversão dos cristãos, também como cidadãos e homens sociais, à luz, à verdade e à vida que veio trazer Jesus Cristo no seu exemplo e paixão e que o Espírito Santo transmite aos que o invocam com o coração puro, bem assim como, ao mesmo tempo, a conversão de todo o mundo em sua variedade de crenças de culturas e de civilizações, sem perda do próprio de cada uma. “(…)
“O Quinto Império é um império (…) irrealizável por simples coroação, herança, lei, ditadura ou partido, por parte de grupos oligárquicos, classes políticas ou revolucionários voluntaristas. Não é o rei que é coroado imperador, nem sequer a autoridade local ou bispo ou o sacerdote paroquial. É o pobre, é a criança, é o que visivelmente está carenciado da plenitude de ser humano pela condição social ou pela idade.”
No ato da coroação, o menino vinha rodeado por cinco personagens, representando o Homem Universal, ou a sociedade humana no seu conjunto: um homem velho, uma mulher velha, um homem novo, uma mulher nova e outro menino, que seria coroado no ano seguinte.
A Coroa, fechada e encimada por uma pomba, é o símbolo tradicional do Divino Paráclito. O ritual da Coroação e as festas indicam, de acordo com algumas interpretações, a subordinação das idéias, das classes e das forças numa fidelidade não à Igreja institucional, mas ao Evangelho Eterno.
De acordo com alguns autores, a pessoa coroada é, por assim dizer, o profeta do Império do Espírito Santo de amanhã. Para Quadros, “(nela) se representam os bem-aventurados, isto é, os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça, os insultados e caluniados, que exaltou Jesus no Sermão da Montanha”. (111)
Outros autores consideram que o menino coroado simboliza o Espírito Santo (de Cristo) que volta para ser e viver como uma criança, conforme Jesus disse: “se não fordes como uma criança não entrareis no reino de meu Pai”.